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Sl119
– Bendita lâmpada
“Lâmpada para os meus pés é a tua palavra; ela é luz para os meus caminhos. Jurei e confirmei o juramento de guardar os teus retos juízos. Estou aflitíssimo; vivifica-me, Senhor, segundo a tua palavra. Aceita, Senhor, a espontânea oferenda dos meus lábios e ensina-me os teus juízos. A minha vida está sempre em perigo; no entanto, não me esqueço da tua lei. Os ímpios armam ciladas contra mim, mas eu não me desvio dos teus preceitos. Os teus testemunhos, recebi-os por legado perpétuo, porque são a alegria do meu coração. Inclino o coração a guardar os teus decretos, para sempre, até o fim. Sl119.105 a 112
Estamos na 14ª estrofe do Salmo 119, referente à letra num. É provável que temos aqui o verso mais conhecido deste salmo: “Lâmpada para os meus pés é a tua palavra; ela é luz para os meus caminhos”. E realmente, o conteúdo deste verso é profundo, incrível e verdadeiro.
Temos a imagem de uma lâmpada iluminando os pés daquele que está no caminho. A função da lâmpada é dissipar o escuro, as trevas e trazer visibilidade para que os passos estejam no caminho certo. Para o salmista, essa lâmpada é a Palavra de Deus, que realmente revela o caminho, mostra onde devemos colocar o próximo passo.
Importante perceber que o alcance de uma lâmpada na extensão do caminho não é grande. Gostaríamos de ter um holofote iluminando longe. Se assim fosse, correríamos o risco de caminhar sozinhos, sem Deus, sem conhecer o Senhor que caminha com a gente.
O autor disse que estava aflitíssimo, e sabemos bem o que isso significa. Mas nem sempre fazemos o que ele fez em sua aflição; ele clamou a Deus dizendo: “vivifica-me, Senhor, segundo a tua palavra”. Ele pediu o ânimo da vida, os recursos da palavra de Deus, entendendo que era a sua maior necessidade e o caminho para lidar com a aflição que enfrentava.
Encontramos também um conceito que ecoa ao longo da Palavra: a voluntariedade. O Salmista disse: ‘aceita, Senhor, a espontânea oferenda dos meus lábios’. Deus nunca nos força a oferecer algo a Ele; Ele espera nossa entrega voluntária, do coração. Se não for assim, podemos viver uma religiosidade, uma série de ritos que não chegam à presença de Deus como oferta agradável, aceita.
Outro fundamento é o ‘legado perpétuo’. O salmista disse: “recebi os teus testemunhos por legado perpétuo, porque são a alegria do meu coração”. Temos recebido um legado dos irmãos do passado, da igreja que conheceu e amou o Senhor em seus dias. Pessoas falhas sim, mas através delas o evangelho nos alcançou. E temos o privilégio e o desafio de deixar um legado de fidelidade a Deus e de alegria em viver a fé em Jesus.
Como cristãos, somos o povo do caminho; estamos em movimento, em direção à vontade de Deus aqui e na eternidade. Precisamos da lâmpada da Palavra, mais do que imaginamos: diariamente, constantemente.
Que possamos viver à luz da Palavra que é verdadeiramente a lâmpada que ilumina os nossos caminhos, hoje e sempre! As palavras do último verso desta estrofe, podem ser o caminho para o nosso coração: “Inclino o coração a guardar os teus decretos, para sempre, até o fim”.