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Sl119 – Sou teu
“Para sempre, ó Senhor, a tua palavra está firmada no céu. A tua fidelidade se estende de geração em geração; fundaste a terra, e ela permanece. Conforme os teus juízos, assim tudo se mantém até hoje; porque todas as coisas estão ao teu dispor. Se a tua lei não tivesse sido o meu prazer, há muito eu teria perecido na minha angústia. Nunca me esquecerei dos teus preceitos, pois é por meio deles que me tens dado vida. Sou teu; salva-me, pois eu busco os teus preceitos. Os ímpios me espreitam para me destruir, mas eu considero os teus testemunhos. Tenho visto que toda perfeição tem o seu limite; mas o teu mandamento é ilimitado.” Sl119.89 a 96
Nesta preciosa estrofe do Sl119, todas as frases começam com a letra lâmede, a 12ª do alfabeto hebraico, nos lembrando o cuidado e esforço do salmista em organizar o texto para facilitar sua memorização.
Existe um contraste evidente entre o relacionamento do salmista com seu Deus e as lutas que enfrentava. Ele fala de angústia, pede por salvação e disse que os ímpios o espreitavam para o destruir.
O que sobressai no texto não são as lutas, mas quem é o Deus que o sustenta em meio as lutas. Ele vê a Palavra de Deus como firme fundamento com duração eterna. De geração em geração, a fidelidade de Deus está presente. A terra, que foi criada por Deus, permanece até hoje, sustentada em Sua soberania.
De forma bem pessoal, o salmista testemunha que, se não fosse pela Palavra de Deus, ele teria perecido em sua angústia. E afirma seu prazer na lei do Senhor.
Se perguntarmos às pessoas e até aos cristãos de hoje, onde está o seu prazer, dificilmente ouviríamos o que o salmista disse. Perdemos de vista o profundo prazer e satisfação que existe em Deus e em Sua Palavra, e trocamos pelos prazeres temporários deste mundo.
No meio desta estrofe encontramos a declaração fundamental que orienta a vida, as escolhas, o caminho do autor. Ele disse a Deus: “sou teu”. Apesar de termos um anseio humano profundo por pertencer, vivemos em busca de independência e autossuficiência. O salmista encontrou sua identidade em Deus, e reconhecer que pertencia a ele, lhe trouxe a certeza de poder clamar ‘salva-me’, sabendo que sua confiança estava no lugar certo.
Será que podemos dizer como o salmista “sou teu, salva-me”? Quais as implicações práticas de pertencermos a Deus? Em nosso dia a dia, temos desfrutado do prazer em conhecer e viver Sua Palavra?
Termino com a letra da canção “De onde vem a paz” do grupo Os arrais: “não sou merecedor, mas tenho Cristo e Ele me tem; não pertenço a mim mesmo mais”. Que possamos dizer a Deus de todo coração, como o salmista disse, ‘sou teu’ e assim viver a alegria de pertencer ao Senhor!