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Sl119 – Frutos da aflição
“Tens sido bom para o teu servo, Senhor, segundo a tua palavra. Ensina-me bom juízo e conhecimento, pois creio nos teus mandamentos. Antes de ser afligido, eu andava errado, mas agora guardo a tua palavra. Tu és bom e fazes o bem; ensina-me os teus decretos. Os soberbos têm forjado mentiras contra mim, mas eu guardo de todo o coração os teus preceitos. O coração deles se tornou insensível, como se fosse de sebo; mas eu me alegro na tua lei. Foi bom que eu tivesse passado pela aflição, para que aprendesse os teus decretos. Para mim vale mais a lei que procede da tua boca do que milhares de peças de ouro ou de prata.” Salmo 119.65 a 72
Estes são os 8 versos da estrofe referente à letra tete, a 9ª do alfabeto hebraico; e o tema é o valor da aflição. Como pode alguém dizer que foi bom passar pela aflição? Mas foi exatamente o que o salmista disse, e isso tem uma razão.
Sofrimento e aflição são realidades que igualam todos as pessoas. Em um momento ou em muitos, todos enfrentamos dores que vem das mais diversas e variadas formas.
A questão não é se sofremos, mas como enxergamos e reagimos ao sofrimento. Nenhum sofrimento é bom em si mesmo, mas na vida do cristão, na perspectiva da presença e propósitos de Deus, o sofrimento pode ser produtivo. O salmista acrescentou um ‘para que’ em sua frase. Ouça novamente: “Foi bom que eu tivesse passado pela aflição, para que aprendesse os teus decretos.”
Aprendizado dos decretos, do caminho, da vontade de Deus é o doce fruto gerado em nós pelo sofrimento. É quando reconhecemos a fragilidade da vida, a pobreza das nossas escolhas e nossa profunda necessidade e dependência do Senhor.
Existe uma mudança, um contraste, um antes e depois, que o autor identificou em sua própria vida. Ele disse: “Antes de ser afligido, eu andava errado, mas agora guardo a tua palavra.” Antes e mais agora traduzem o efeito, o aprendizado gerado em meio ao sofrimento. Guardar a palavra, significa valorizar, acolher, ter como valor fundamental, crer no que Deus diz como verdade absoluta.
A transformação que Deus fez na vida do salmista foi tão evidente, que seu juízo de valor mudou completamente. Para ele a palavra de Deus passou a ter muito mais valor do que milhares de peças de ouro ou de prata. Ouro e prata ainda são muito valorosos hoje, mas naquela época significavam prosperidade, poder e segurança; eram vistos como símbolo de algo incorruptível, que não pode ser destruído ou que não se deteriora. O salmista encontrou algo muito mais valioso e precioso do que ouro e prata, a palavra do Deus vivo e verdadeiro!
Uma palavra chama nossa atenção neste trecho. Por 5 vezes temos a palavra ‘bom’ ou ‘bem’, revelando que o autor sabia que Deus é bom e que seus atos são bons, carregados de bondade. Quando conhecemos o Deus bom aprendemos, pouco a pouco, a ver sua bondade revelada!
Que possamos dizer como o salmista: “Tens sido bom para o teu servo, Senhor, segundo a tua palavra”! Amém!